Volume 3 Número 1 – 15.11.2009 Editores Sergio Capparelli | Maria da Glória Bordini | Regina Zilberman ISSN 1982-9434
Cecília Meireles no ciberespaço
Gilsa Elaine de Lima Ribeiro, mestranda do PPGL-UFPB
O editor Miguel Rettenmaier, de Tigres Digital, convidou Gilsa Elaine de Lima Ribeiro para falar sobre a internet como um novo espaço de discussão de poesia infantil. Gilsa reconhece que existem numerosas páginas sobre o assunto, desde os mais gerais, até os que se dedicam a um gênero ou autor. Preocupada com esse fenômeno, ela traz aqui algumas reflexões que integram sua dissertação de Mestrado em Letras, na Universidade Federal da Paraíba. Gilsa descobre uma Cecília Meireles diferente, digital, vamos dizer assim, circulando, sendo lida, recebida, discutida e apresentada no ciberespaço. Imprimir o texto
As formas de o sujeito ler e representar o mundo foram sofrendo alterações ao longo dos séculos. Como afirma Chartier (2002), a evolução da cultura impressa, desde os séculos II e IV até o século XV com o advento da imprensa, trouxe consequências significativas nos modos de ler, em que os homens foram tentando ordenar, controlar, classificar as relações entre a escrita e a leitura.
A relação entre o leitor e o texto vai se tornando uma categoria cada vez mais pertinente para o estudo da leitura e suas práticas. Durante muito tempo, os participantes da literatura oral e da produção literária foram relegados ao segundo plano, fazendo com que autores e obras caíssem no esquecimento, apesar de terem sido, como nos afirma Darnton (1995), amplamente lidos e considerados recordes de venda no período de sua publicação, mas que hoje desapareceram da história da literatura.
Outra categoria bastante importante para a história da leitura é a relação entre leitor e o suporte desta leitura. Tal relação vem sendo amplamente estudada por historiadores da leitura como Darnton (1995), Chartier (2002), Michel de Certeau (1994), entre outros, que já apontam para o fato de que as formas de ler estão, entre outros fatores, bastante ligadas ao suporte que sustenta a leitura.
É neste aspecto que iremos analisar como a leitura dos poemas de Cecília Meireles se insere neste suporte – o blog. Para isto, vamos definir o blog, apontar algumas poesias da autora que se inserem nesse espaço, como são divulgadas, porque o são e como ocorre essa leitura.
Observaremos ainda, nos quatro blogs analisados, quais poesias foram consideradas pelos autores dos mesmos as mais lidas e comentadas, assim como os possíveis critérios usados por eles na escolha das postagens.
O blog: autor e leitor
O termo blog foi visto pela primeira vez, segundo Alvarez (2009), em 1994, num formato um pouco diferente do que conhecemos hoje. Inicialmente, os blogs eram utilizados como diários, seguindo, no entanto, uma ordem cronológica inversa, mas hoje passaram a atender a diversas finalidades, tais como expressar opiniões sobre política, economia, educação, esporte, cultura entre outros. Em alguns deles, muitos autores publicam poesias de poetas conhecidos pelo cânone literário, como também se utilizam desse meio para postar suas próprias poesias, tornando seu conteúdo essencialmente literário.
O blog vem se tornando algo cada vez mais popular. Sua popularização, entre outros fatores, dá-se pela facilidade de criá-lo, pela necessidade de tornar público seus textos e opiniões, como também pelo fato de que neste espaço, as barreiras entre autor e leitor podem ser bastante reduzidas, o que significa uma democratização da publicação.
A blogosfera, termo que representa o mundo dos blogs [...], cresceu em ritmo espantoso. Em 1999 o número de blogs era estimado em menos de 50; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. [...] Atualmente existem cerca de 112 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente, de acordo com o estudo State of Blogosphere.[7] (wikipedia)
No que se refere à democratização da publicação e a diminuição das barreiras entre autor e leitor, a internet não é a pioneira. Segundo Barbosa (2007), em seu livro Jornal e literatura: a imprensa brasileira no século XIX, com o advento dos jornais a partir do século XIX, as relações do leitor com o texto impresso já sofreram transformações pertinentes que, por muito tempo, não foram levadas em consideração pelos historiadores da literatura, quando se estudavam as práticas culturais do Brasil de oitocentos. Isso começou a mudar quando os historiadores da leitura começaram a levar em consideração “dois novos ingredientes do que consideramos próprio ao universo da literatura: os leitores e o suporte por onde circulam os textos” (BARBOSA, 2007, p.21).
O contato entre leitor e obra literária neste espaço merece uma atenção especial, uma vez que, como afirma Santaela (2004), o leitor “imersivo”, quando na tela do computador se depara com um território virtual, no qual ele mergulha em dados e lê os textos, imagens, sons onde quer e a seu critério e escolha sem que haja os limites temporais, espaciais e históricos, confirmando o fato de que o cibernauta coloca em ação atitudes de leitura bastante diferentes do leitor do livro impresso.
Assim, com a chegada desse suporte e, consequentemente, com a instauração de uma nova relação com a leitura, o leitor se encontra liberto dos limites e coincidências entre história, espaço e tempo, uma vez que ele pode estar em vários lugares sem sair de um mesmo lugar. Esse poder transforma a ordem prevista pela cultura impressa, a que se refere Chartier (2002, p. 24), quando em seu capítulo Línguas e leituras no mundo digital aborda o fato de que com a comunicação eletrônica, ocorreu uma ruptura com a ordem das razões, em que as relações de crédito no discurso são modificadas, visto que a não linearidade e dedutividade das argumentações e demonstrações, passadas agora pelo crivo da comprovação pessoal do leitor que vai diretamente aos textos, não mais colocam em destaque o autor e a confiança nele antes depositada. Neste sentido, “Os blogs constituem espaços de libertação, onde os escritores se expressam livremente, escolhem seus temas de publicação, sem regras pré-estabelecidas,divulgam seus textos e interagem com seus leitores.” (DI LUCCIO, 2005, p. 49).
No entanto, nos blogs, os internautas escolhem seus autores e lhes conferem créditos que perpassam pelo crivo individual e pela necessidade de referir-se ao fato de que seu blog é um dos mais lidos, mais visitados, recebeu prêmio ou concorre a ele etc., uma forma, então, de conferir-lhe credibilidade.
Com base nesses dados, os blogs passam a ser um suporte que não deve ser desconsiderado quando pretendemos observar as práticas de leituras a partir do final do século XX.
Canções que navegam
Mar, rio, navio, vento, canção. Parece que essas palavras, aparentemente tão corriqueiras, mas que se tornaram símbolos recorrentes na poesia de Cecília Meireles ainda se mantêm vivas no imaginário dos leitores que navegam pelo ciberespaço. Seus poemas continuam sendo lidos e partilhados ou simplesmente admirados por esses ciberleitores. Seus textos, antes somente divulgados pela cultura impressa dos livros, agora navegam no imenso mar do ciberespaço.
No ciberespaço, metaforicamente falando, os poemas dessa poetisa parecem ter encontrado seu lugar: simplesmente navegam. Navegam muito mais do que quando eram impressas no papel da cultura do livro. Visitando os blogs pela internet, percebemos claramente como suas canções, em especial, são fontes de inspiração, são lidas e comentadas, são admiradas e associadas à vida desses autores e de seus ciberleitores.
Dois aspectos se tornam evidentes tanto nas escolhas de poemas a serem postados pelos autores dos blogs como nas seleções dos leitores para se tornarem seguidores dos mesmos: a leitura que ocorre “por acaso” e aquela motivada por um interesse específico, neste caso, Denise estava à procura de “crônicas do mês de maio” e se depara com um blog. Isto pode ser percebido no comentário postado no blog Literatura em Conta-gotas, de Karina e Telma:
Karina e Telma,
também encontrei o blog de vocês por acaso: um ótimo acaso! Buscava crônicas do mês de maio, algo expressivo e … aqui estou, lendo trechos bem interessantes, que traduzem o fato de apreciarmos boas leituras, bons escritores, textos especiais.
Vocês já estão nos meus favoritos, para visita diária.
Beijos e um abraço amigo,
Denise.
Esses aspectos podem ainda ser verificados no blog, intitulado O olhar é uma isca, da autora Ana Paula. Em seu comentário, em resposta ao meu a respeito de uma postagem da Canção do carreiro, de Cecília Meireles, no qual escrevo estar interessada em conversar sobre poesia, ela afirma:
Fico feliz que tenha gostado. Meu blog tem um pouco de tudo, especialmente os poemas que escolho, procuro expressar minhas preferências quanto aos autores escolhidos e o significado da poesia naquele momento específico em minha caminhada.
A poesia para mim é um alimento diário. Me ajuda a decifrar inúmeros enigmas que permeiam meu cotidiano.
[...]
Quinta-feira, 16 julho, 2009
Veja que os critérios de escolha passam pelo crivo pessoal, pelas preferências e significados para um determinado momento da vida. As próprias escolhas não levam em consideração a contextualização da obra em si. O poema “Canção do carreiro” integra o livro Vaga música, publicado em 1942. Esta obra inscreve-se no panorama do Modernismo brasileiro, mas assinala uma singularidade primordial: seus poemas são marcados pelo engrandecimento dos elementos mais simples da existência que adquirem significação simbólica. Tal significação é que chama a atenção de Ana Paula, para ela não interessam as questões literárias, mas como essa ou aquela poesia responde aos seus anseios íntimos, ajuda a decifrar suas angústias etc.
A poesia, de fato, possui uma função bastante específica: dialogar e representar o universo humano.
No blog Literatura em Conta-gotas, já referido anteriormente, um dos comentários reforça o que abordamos acima: telminha21 disse,
Novembro 24, 2008 @ 11:47 pm
Que bom que gostou, Ana. Criamos este blog justamente porque também achamos que falta poesia nos dias de hoje. Nada como ler algo bonito e construtivo para alegrar o dia, não é?
Beijos,
Karina e Telma
Vejamos que não interessa às autoras do blog questões literárias, mas a necessidade de poesia para alegrar o dia. Interessante mostrar que a poesia é vista como algo bonito e construtivo, capaz de alegrar, de trazer felicidade. No tocante ao fato de que o leitor da poesia de Cecília, em especial, busca a sensação, algo a mais do que a simples poesia e seus ornamentos, vemos que o seu interesse recai, na verdade, no que esse poema provoca. Esse aspecto nos remete a uma passagem de Housman, citada por Hamburger (2007, p. 36) quando discute o leitor e o crítico de poesia, especialmente da poesia moderna,
Os poemas muito raramente consistem em poesia e nada mais; e o prazer pode ser derivado também de seus outros ingredientes. Estou convencido de que a maioria dos leitores, quando acham que estão admirando poesia, [...] estão, de fato, admirando não a poesia da passagem diante de si, mas alguma coisa mais nela, de que eles gostam mais do que a poesia.
É nesse sentido que observamos a presença dos poemas de Cecília nos blogs. O poema fala algo a mais do que a poesia em si. A linguagem, os ornamentos, a simbologia presentes nos poemas, podem até chamar a atenção para o texto, contudo é o que ele comunica, é o que o poema representa para o leitor que estão em evidência. O prazer estético não é a grande questão aqui, mas a identificação que se dá entre obra e leitor.
Um segundo aspecto interessante da leitura é que ela perpassa por um interesse. Dele, outras leituras vão sendo inseridas no universo de leitor. Ele está aberto à multiplicidade do mundo da palavra e essa via de mão dupla que a internet permite dá continuidade ao leitor do século XIX, que encontrava nos jornais um espaço para se inscrever, tornar-se participante do mundo da escrita. Conforme nos afirma Cosson (2004)
“O sentido do texto só se completa quando esse trânsito se efetiva, quando se faz a passagem de sentidos entre um e outro. [...] É preciso estar aberto à multiplicidade do mundo e à capacidade da palavra de dizê-lo para que a atividade da leitura seja significativa. [...] O bom leitor, portanto, é aquele que agencia com os textos os sentidos do mundo, compreendendo que a leitura é um concerto de muitas vozes e nunca um monólogo.” (p. 27).
O leitor não está mais em segundo plano, ele é quem move esse mundo da palavra, quem o sustenta. Esse concerto de muitas vozes a que Cosson se refere na passagem acima é outro aspecto a ser considerado nas práticas de leitura dos poemas nos blogs. As vozes se misturam por meio dos comentários, das intromissões do leitor-escritor, há um trânsito em que cada um ocupa seu lugar, mas se faz presente no lugar do outro.
E mais, o blog dá possibilidade para que o leitor se torne escritor, tanto por meio de seus comentários, como quando torna esse espaço um lugar de divulgação de seus próprios poemas.
É interessante notar que na abertura de suas postagens de poesias, Ana Paula sempre apresenta uma imagem (pintura e fotografia principalmente, com os devidos créditos), que para ela, talvez, represente bem a simbologia dos poemas. Essa forma de apresentação faz com que o leitor goste do que vê, demonstrando que na hipermídia os elementos hipertextuais se tornam um elemento único na apreciação da leitura. Som, imagem, texto, movimento, cores, tudo isso contagia o internauta em suas escolhas, interferindo, também, nas interpretações e nas formas de ler o poema.
Como Darnton (1995) afirma, os elementos como capa, letra, impressão, autor, formas de publicação interferem nas práticas de leitura. Estas também sofrem influências diretas nos modos de ler, nos gostos e escolhas dos cibernautas. No poema “Canção do carreiro”, as imagens do vento e a imprecisão de tempo e espaço referidas no poema, são lidas também na imagem postada. Ana Paula não a escolheu aleatoriamente, a imagem representou para ela o que de significação foi dado ao poema.
Na justificativa de seu blog, a autora se refere, também, à caminhada, um caminho que é percebido pelo olhar, o que justificaria a escolha dos poemas de Cecília, em que o elemento sensorial se faz tão presente, principalmente em “Canção do Carreiro”. Este poema é um passeio cujo condutor é o próprio vento, incerto e inconstante, em que o único sentido é a própria caminhada – a essência da vida.
Os elementos vento, nuvem e tempo – este último sugerido pelos tons escuros e claros – recorrências simbólicas da representação de um espaço indefinido, em que o vento é o seu condutor, são percebidos na imagem.
Em relação ainda a este blog, em sua página inicial, sua autora faz uma nítida explicitação do que Chartier (2002) se refere, quando discute as rupturas que a comunicação eletrônica acabou por instituir, a ordem das razões são modificadas. Ana Paula conclui sua justificativa para a criação do seu blog, dizendo que suas escolhas, seus poemas, suas escrita “E tudo mais que meus devaneios ousarem.”, não seguirão uma ordem, uma vez que “A ordem que valerá será a da vontade, do sentimento” (http://anapaulabousquet.blogspot.com/2009/07/cancao-do-carreiro-cecilia-meireles_09.html. acesso:17/07/09)
Num outro blog, esse mesmo poema é postado. Sua apresentação se dá de outra forma. Não aparecem imagens. O texto simplesmente é transcrito e o espaço para comentários é intitulado de mamilos. Este blog não é necessariamente de poesias, e seu autor se autodenomina, em seu perfil, como um “Promissor em letras. Ainda besta na introspecção (alguns fusíveis queimados), mas ao menos gozo poesia na língua. Desastrado e intenso no amor.” (http://icaroreverso.blogspot.com/, acesso em 18/07/09).
Essa poesia de Cecília, ao contrário daquela postada no blog de Ana Paula, aparece deslocada, uma vez que não há seleções de outros poemas que revelem uma tendência poética dentro desse espaço. Isso demonstra, entre outras questões que em outro momento apontaremos, que os blogs não seguem uma ordem única. Cada blogueiro o organiza a seu dispor, sem uma preocupação específica, mas a ordem é, nestes blogs estudados, o prazer, os sentimentos, nunca um conhecimento técnico-literário, por assim dizer.
As canções de Cecília são postadas, também, no blog Na ponta dos lápis, de Leonardo Schabbach. Ao postar o poema Canção, ele justifica sua escolha afirmando:
Escolhi esse poema justamente por ser um dos que mais me marcou, especialmente o último verso, e por ser um dos mais conhecidos da autora. Acho que é um excelente poema para ser colocado como o primeiro - de muitos, imagino - da autora no blog. Espero que gostem e que fiquem tão fascinados pelos versos acima quanto eu fiquei.
(http://napontadoslapis.blogspot.com/. acesso em 18/07/09.)
Observe que, além do aspecto já comentando, as razões das escolhas, a necessidade de compartilhar e divulgar os poemas são outra marca dos blogs analisados. Seus autores não desejam apenas postar suas preferências, mas, e acredito que principalmente, dialogar e interagir com seus leitores.
No entanto, uma questão surge neste blog que o diferencia dos demais já analisados: o fato da necessidade de comentar os poemas. Ele afirma, ainda na postagem a respeito do mesmo poema: “Resolvi finalmente postar uma poesia de Cecília Meireles, com comentários é claro.” Na sequência, ele posta os poemas Retrato e Mulher ao espelho, sempre comentando aspectos estruturais e temáticos que ele considera importantes nos textos.
Os comentários estruturais e temáticos sobre os poemas postados são uma marca deste blog, nos demais seus autores apenas postam as poesias, com ou sem imagens, sem uma preocupação em apresentar tais “análises” de forma mais densa como ocorre neste.
Comentário: [...] A poesia acima se resume em uma palavra: linda. Só o que posso dizer, simplesmente linda. A beleza das imagens poéticas criadas por Cecília, as metonímias, a sinceridade, são tocantes. É como sempre costumo dizer: Cecília traz para a poesia brasileira um grau de introspecção que só a poesia feminina conseguem [ sic] expor. Ela e Clarice Lispector são as mais conhecidas por trazerem mais esse elemento para a literatura nacional. [...]. (idem)
Isto nos faz refletir que os interesses são diferentes e que os leitores também são diferentes, principalmente.
No blog Literatura em conta-gotas, já referido antes, as canções de Cecília são postadas com uma pequena contextualização da obra impressa. Na abertura da postagem do poema Canção Excêntrica são apresentados dados da obra a que esse poema pertence, fazendo um breve comentário temático a seu respeito.
Hoje presenteamos o leitor com uma belíssima poesia da magistral Cecília Meireles, do conjunto de poemas “Vaga Música”, escrito em 1942. Extremamente racional frente aos temas mais filosóficos da vida, a autora também se apresenta com uma fragilidade pungente. Maravilhoso!
O mesmo ocorre ao se referir ao poema Canção do Amor-perfeito:
O belo poema acima, que analisa o poder destruidor do Tempo, que tudo elimina, pertence ao livro “Retrato Natural” (de 1949).
Karina
Ainda sobre este blog, suas autoras deixam claro, e até agradecem aos seus leitores, que os posts mais visitados são os referentes aos poemas infantis de autores como Cecília Meireles, José Paulo Paes e Vinícius de Morais, conforme elas deixam por escrito, ao postarem poemas infantis de Cecília, tais como Leilão de jardim, Colar de Coralina, O mosquito escreve, entre outros:
Dentre os posts mais acessados em nosso blog, estão os relativos à literatura infantil. Tal fato muito nos alegra, pois, para nós, o interesse pela leitura deve começar logo na infância. [...] Assim, procuraremos sempre dedicar um espaço para a literatura infantil neste blog.
Hoje, mais Cecília Meireles para crianças. Divirtam-se:
Essa constatação é possível pelo fato de que o blogueiro poder acrescentar em seu blog um recurso denominado estatísticas de visitas. Por meio dessa ferramenta, seu autor pode quantificar os acessos ao seu blog. Dessa maneira, apesar de não haver muitos comentários, podemos verificar se houve visita. Isso nos faz concluir que muitas vezes se lê mais do que se escreve nesses espaços, dado este que não nos deteremos neste trabalho.
Conclusão
Após as análises dos blogs onde circulam os textos poéticos, em especial da autora Cecília Meireles, pudemos constatar um dado bastante interessante: lê-se poesia! As formas de ler e de tornar público esse gênero literário mudaram, mas não acabaram, uma vez que seus leitores o mantêm vivo, circulando, discutidos e comentados sem que haja intermediários, censores para dirigir e controlar essa leitura.
Para conhecermos as práticas de leitura e a circulação do texto poético, não podemos nos esquecer desse suporte que, merecidamente, têm se tornado um grande espaço de contato com a poesia. Ela circula, ela é lida, é homenageada... São trazidos autores canônicos e seus poemas de uma forma que é o leitor quem se faz presente nesses textos, no que diz respeito aos critérios de escolha das postagens, nos critérios dos que navegam e se deparam com aquele blog e encontram ali um espaço onde podem partilhar suas leituras, seu mundo, seus pensamentos por meio do texto poético.
Esse suporte não pode ser desconsiderado ainda, por ser capaz de nos revelar esse leitor que não é mais o mesmo do livro impresso, não é mesmo da cultura massificadora do mercado editorial que quer muitas vezes nos impor parâmetros de leitura, conceitos, normas, ordens de valor. Nesse espaço, é o leitor quem decide, quem vai procurar, quem instaura uma nova ordem e coloca uma autora como Cecília Meireles na sua própria vida. São as emoções, os sentimentos que dominam esse leitor, como também a necessidade de participar e de pertencer a esse mundo da cultura letrada, antes um privilégio de poucos privilegiados. Agora qualquer um pode ser escritor ou pelo menos inserir-se nesse contexto.
Desse modo, nosso trabalho buscou refletir sobre como se dá a leitura da poesia de Cecília Meireles na internet, em especial nos blogs, buscando discutir as práticas desse leitor virtual que leva para a tela outra forma de ler, aparentemente dispersa e ilógica, mas reveladora de uma nova relação com a leitura.
Referências
ALVAREZ, Miguel Angel. O que é um blog. http://www.criarweb.com/artigos/o-que-e-um-blog.html. acesso: 21/07/09.
BARBOSA, Socorro de Fátima Pacífico. Jornal e literatura: a imprensa brasileira no século XIX. Porto Alegre: Nova Prova, 2007.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.
CHARTIER, Roger. A ordem dos livros.In:_______. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa ente os séculos XIV e XVIII. Trad. de Mary Del Priori. Brasília: Editora da UNB, 1999, p. 7-10.
___________. Línguas e leituras no mundo digital. In: ______. Os desafios da escrita. Trad. De Fulvia M. L. Morreto. São Paulo: Editora UNESP, 2002, p. 11-32.
DARNTON, Robert. Os intermediários esquecidos da literatura.In: __________. O Beijo de Lamourette. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 133-172.
DI LUCCIO, F. As múltiplas faces dos blogs: um estudo sobre as relações entre escritores, leitores e textos. 2005. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica) – Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ.
HAMBURGER, Michael. A verdade da poesia. Trad. De Alípio Correia Franca Neto. São Paulo: COSACNAIF, 2007.
KARINA, TELMA. http://literaturaemcontagotas.wordpress.com/, acesso em 17/07/09.
PAULA, Ana. http://anapaulabousquet.blogspot.com/2009/07/cancao-do-carreiro-cecilia-meireles_09.html. acesso: 17/07/09.
SANTAELA, Lúcia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.
SCHABBACH, Leonardo. http://napontadoslapis.blogspot.com/. acesso em 18/07/09.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog#cite_note-6. Aceso:21/07/09. Voltar ao sumário
|
|
Último Número
Quem Somos
Arquivos
Contribuições
Cartas
Cadastro
Nossas publicações acontecerão no dia 15 de novembro, 15 de março e 15 julho de cada ano. Se você quiser receber um lembrete a cada nova edição, preencha, sem qualquer custo, o formulário abaixo.
Tigre inquieto
Publica artigos sobre algum aspecto particular da poesia para crianças. Editores: Sérgio Capparelli, Regina Zilberman e Maria da Glória Bordini.
Tigre ao espelho
Contribui com discussões sobre o fazer poético mais amplo, em que a ilustração ou design se institui enquanto uma das vozes importantes da interlocução entre autor e leitor. O espelho apresentará autores ou ilustradores nacionais e estrangeiros, falando sobre seu trabalho, em entrevistas ou depoimentos. Editora: Annete Baldi
Tigre em movimento
Propõe o relato de trabalhos práticos com poesia infantil em qualquer nível educacional. Editora: Elizabeth D'Angelo Serra
Tigre digital
Ocupa-se de poéticas digitais para crianças, com descrição ou críticas de sites de poesia infantil no Brasil e no exterior. Editor: Miguel Rettenmaier.
Tigre à mesa
Apresenta ou publica críticas à produção editorial do período, dentro da área, tanto em relação a textos de reflexão como a livros, produtos ou espaços de poesia para crianças. Editor: Sérgio Capparelli.
Conselho Editorial
O Tigre Albino tem um Conselho Editorial integrado pelas seguintes pessoas:
Blanca Roig da USC e da LIJMI, Espanha;
Ezequiel Theodoro da Silva, da UNICAMP e da ALB, Brasil;
Isabel Mociño Gonzáles, da USC e da LIJMI, Espanha;
Laura Sandroni, da FNLIJ, Brasil;
Maria Antonieta Cunha, da PUC-MG, Brasil;
Marisa Lajolo, da UNICAMP e Mackenzie, Brasil;
Silvia Castrillon, da Asolectura, Colômbia;
Virgilio López Lemus, do ILL, FAyLUH e AChttp://fayl.uh.cu e ACC, de Cuba.
|